campanha da Fraternidade

14/03/2011 11:52

Campanha da Fraternidade

2011

Tema: "Fraternidade e a vida no planeta"

Lema: "A criação geme em dores de parto"  (Rm 8,22)

 

 

 

Apresentação 1

Quaresma é tempo de escuta da Palavra, de oração, de jejum e da prática da caridade como caminho de conversão, tendo como horizonte a celebração do Mistério Pascal de nosso Senhor Jesus Cristo. E somos convidados a aproveitar esse tempo de graça, valorizando os canais pelos quais esta se comunica: a oração, a participação nos sacramentos da penitência e da eucaristia, as práticas devocionais deste período, de modo especial a Via Sacra e o Santo Rosário.

No mundo em que vivemos, somos diariamente interpelados por tantos rostos sofredores, que clamam por nossa solidariedade. A Igreja samaritana não pode passar adiante, na presença de tantos irmãos e irmãs que dela esperam acolhida fraterna, ombro amigo, mãos generosas, que os ajude em sua caminhada para o Pai.

A Campanha da Fraternidade é um excelente auxílio para bem vivermos a Quaresma. Com sua metodologia característica do Ver - Julgar - Agir, baseada, a cada ano, num Tema  e num Lema, a Campanha da Fraternidade nos oferece uma ótima oportunidade para superarmos qualquer dicotomia entre fé e vida.

Este ano, a CNBB propõe que todas as pessoas de boa vontade olhem para a natureza e percebam como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global e as mudanças climáticas, com sérias ameaças para a vida em geral, e a vida humana em especial, sobretudo a dos mais pobres e vulneráveis. É nesse contexto que a CNBB propõe para 2011, a Campanha da Fraternidade com o tema "Fraternidade e a vida no planeta", e como lema "A criação geme em dores de parto (Rm 8,22)".

Na medida em que cada cristão ou cristã for capaz de vivenciar seriamente o próprio batismo, sua conversão diária não será mais mera questão de retórica, mas será uma dimensão permanente em sua vida.

Que o Senhor da Vida nos abençoe a todos em nossa caminhada quaresmal e, mais ainda, em nossa marcha diuturna, na direção do Reino que nos foi preparado antes da fundação do mundo (cf. Ef 1). Associados à morte de Cristo pelo Batismo, nós o seremos, também, na sua ressurreição. E Deus será tudo em todos.

 

Brasília, 04 de outubro de 2010,

na memória de São Francisco de Assis.

 

Dom Dimas Lara Barbosa

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário Geral da CNBB

 

 

 

 

Introdução ao Texto-Base da CF 2011 2

1. A Campanha da Fraternidade de 2011 aborda o tema do aquecimento global e das mudanças climáticas. A considerar as intempéries climáticas que estão sistematicamente assolando as populações, de forma cada vez mais intensa e em quantidade sempre crescente, a temática é plenamente  justificável.

2. No entanto, é necessário dizer que a questão é envolta de polêmica. A causa desse desequilíbrio climático é discutida pelos pesquisadores e basicamente existem dois grupos. Há os que entendem que o aquecimento global é oriundo de processos da própria natureza e os que afirmam que o planeta está apresentando aquecimento devido às grandes quantidades de emissões de gases de efeito estufa, que se intensificaram a partir do momento da industrialização de muitos países ou, como alguns preferem, é resultante de causas antrópicas.

3. A resolução deste impasse nos meios especializados não parece ser fácil, e nem pretendemos resolvê-lo. Mas uma coisa é indubitável: nossa experiência constata que mudanças climáticas estão em curso e que já alteramos substancialmente o planeta. E, considerando que o clima da Terra é resultante, em parte, da interação dos seres que o habitam, torna-se difícil negar que alterações, como as derrubadas de florestas, modificações nas águas marinhas e na atmosfera, que recebeu uma carga imensa de gases de efeito estufa, não contribuam para as mudanças climáticas que verificamos.

4. E a considerar a gravidade da situação e de suas consequências, basta citar que órgãos da ONU já falam na existência de 50 milhões de "migrantes do clima", não podemos deixar de agir em prol de melhores condições para o nosso planeta. Sobretudo, porque o aquecimento global e as mudanças climáticas exigirão mais sacrifícios dos mais pobres e menos protegidos. Cruzar os braços diante de tal desafio significa irresponsabilidade tamanha para com as gerações futuras, pois ainda podemos fazer algo em prol da vida no planeta.

5. Neste sentido, a identificação das ações que mais emitem gases de efeito estufa é um passo importante para buscarmos alternativas que resultem em menores índices de emissões de gases de efeito estufa, como pretendemos com o texto.

6. E que a Palavra de Deus e a caminhada quaresmal rumo à Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo possam nos despertar para o exercício do cuidado para com a vida no planeta que pede socorro.

 

 

 

Objetivo geral da CF 2011

Contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

Objetivos específicos

  • Viabilizar meios para a formação da consciência ambiental em relação ao problema do aquecimento global e identificar responsabilidades e implicações éticas.

  • Promover a discussão sobre os problemas ambientais com foco no aquecimento global.

  • Mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e articular a realidade local e regional com o contexto nacional e planetário.

  • Trocar experiências e propor caminhos para a superação dos problemas ambientais relacionados ao aquecimento global.

 

 

Estratégias

Mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e sociedade para assumirem o protagonismo na construção de alternativas para a superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global.

Propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados em valores que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente.

Denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global.

 

 

 

 

A voz de Deus na natureza 3


Mesmo antes de inspirar a escrita dos textos bíblicos, Deus se comunicou com a humanidade através do livro da natureza, da diversidade da vida, da riqueza de tudo que forma o mundo em que vivemos. Seria uma falsidade louvar o Criador e não se importar com o atual processo de destruição de suas obras no âmbito da criação. Porém, uma espiritualidade de contemplação e deslumbramento diante das maravilhas da natureza é parte importante da construção da nossa vida religiosa.

Diversos textos bíblicos trazem um louvor à criação, vendo nas manifestações da natureza sinais da sabedoria, do poder, da grandeza do Criador. Esses textos nascidos da fé e, em forma poética, convidam-nos a contemplar com olhos amorosos a criação de Deus. Temos, por exemplo:

  • O cântico de Misael, Ananias e Azarias em Dn 3,57-87.  Esses três jovens aparecem também com o nome babilônico: Sidrac, Misac e Abdênago. Eles foram lançados na fornalha ardente, por causa de sua fidelidade a Deus. No entanto, um anjo do Senhor é enviado para lançar um orvalho refrescante e não permite que as chamas lhes façam nenhum mal. No meio das chamas, os três jovens entoam um louvor ao Senhor, a partir das obras da criação.

  • O salmo 8, que fala do lugar do ser humano na criação. O salmo 8 foi muitas vezes entendido equivocadamente como justificação religiosa para o "domínio" do ser humano, "rei da criação", sobre a natureza. No entanto, este salmo expressa o lugar que o humano ocupa no conjunto da criação. Se o apresenta acima de todas as criaturas (cf. Gn 1), não quer com isso lhe dar um direito de domínio predatório sobre a natureza, mas sugere um cuidado responsável para com ela, na função de zelador da obra de Deus. Sobre isso, poderíamos lembrar também a fala de Jesus: "A quem muito foi confiado, dele será exigido muito mais" (Lc 12,48). O ser humano, que raciocina, toma decisões e pode transformar o planeta, precisa escolher com responsabilidade o que faz ou o que deixa acontecer por omissão.

  • O esplendor da criação (Sl 104). Este salmo está entre os mais belos do saltério; como um hino à natureza, expressa poeticamente a dimensão de Deus como Senhor e Criador. O salmo estabelece uma inter-relação de Deus com as criaturas, evidenciando a consciência que tinham os antigos israelitas da profunda dependência vital da humanidade e de todo o criado em relação ao poder criador originário. Se Deus retira seu ruah (= espírito de vida, v. 29-32), as coisas voltam ao seu nada. Desse modo, a criação é pensada, neste salmo, em termos de uma grandiosa e incessante troca de energias.

*  *  *

O pecado e sua dimensão ecológica 4


As criaturas foram chamadas à vida por Deus Criador por amor, num ato de vida. E, mesmo envolvendo-as com sua presença, Deus respeita os seres criados em sua justa autonomia e liberdade. Esta condição é indispensável para que o homem e mulher, queridos e criados por Deus, também pudessem amar. O amor é também condição para que cumprissem a missão de cuidar da obra realizada pelo Criador, a qual exige doação e entrega. E não se pode simplesmente exigir isto de alguém; tal empenho requerido por Deus ao homem, passa por um coração que ama.

No entanto, esta mesma liberdade entrevia a possibilidade do pecado, ou do uso da liberdade para se negar a via do amor, cuja consequência é o rompimento da confiança em Deus e nos demais seres. "Ninguém pode hospedar a quem lhe traiu a confiança e ninguém permanece hospedado com alguém a quem ofendeu. O livre ato humano impossibilita a continuidade do shabbat: a festa é interrompida abruptamente". Em consequência, o homem e a mulher vão se emancipar de Deus, ou passam a viver num estado de autonomia que implica separação de Deus e autoafirmação em si mesmos. Neste estado, já não acolhem o chamado de Deus para cooperarem com o seu projeto, e se fecham cada vez mais em um mundo próprio em desacordo com a palavra do Criador. Neste sentido, vão conhecer uma degradação cada vez maior, como podemos ver na sequência dos primeiros capítulos do livro do Genesis.

Na crise ambiental atual, fica patente o poder destruidor do pecado. É o mesmo poder que nega ou deturpa a relação dialógica com o Deus da Vida e do Amor, as relações entre homem e mulher bem como as outras relações entre os seres humanos (comunitárias, políticas, econômicas etc.). É o mesmo poder mortífero cristalizado em estruturas sociais injustas e em modos de produção-consumo destruidores do meio ambiente. A alienação do ser humano em relação ao projeto de Deus sobre a humanização, manifesta-se na sociedade injusta e opressora e na utilização abusiva e destruidora da natureza.

Nessa visão integrada do ser humano, a salvação oferecida pelo Deus da revelação bíblica afeta o ser humano em todas as suas dimensões. O universo inteiro possui uma dimensão crística. A encarnação, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo possuem um significado cósmico, totalmente universal. A libertação da natureza, manipulada abusivamente pelo ser humano, está incluída na libertação do pecado humano para a vivência da liberdade concretizada no amor-serviço Inclui as relações responsáveis e solidárias com as outras criaturas. Hoje, fica cada vez mais claro que a salvação do ser humano é inseparável da salvação da criação toda (Rm 8,19-23) . O destino de ambos está intimamente unido.

 

 

 

 

 

São Francisco e a criação 5

São Francisco é hoje um modelo para os que buscam uma relação mais qualitativa em relação às criaturas, pois cresce a consciência de que há relações que as degradam, acarretando também a degradação do ser humano. Existe uma inter-relação entre o ser humano e as criaturas, como soube expressar São Paulo:

"De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. Também a própria criação espera ser liberta da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto" (Rm 8,19-22).

Por atitudes de arrogância e autosuficiência dos homens exploraram exaustivamente a natureza e a destruíram, depredaram, aniquilaram, extinguiram espécies e poluíram o ar e as águas. Assim, não foram respeitosos ao Criador que ao ser humano reservou a função de cuidar do seu jardim e de todas as criaturas. Nesse sentido, é necessário que se desenvolvam novas atitudes para com a criação que se constitui em um dom de nosso Deus Criador.

Em relação à posse, esta relação é também muito perigosa, pois pela posse, o detentor de poder desqualifica o significado ou identidade dos seres em geral, entendendo-os como meros objetos para servirem à intenção ou à necessidade de quem os possui. São Francisco soube contemplar e valorizar as coisas pelo que eram e pelo valor mais profundo que apresentavam como criaturas de Deus.

O uso das criaturas para o nosso sustento e sobrevivência é imprescindível e se o homem foi colocado como o zelador das coisas, de outro, também é verdade que tudo lhe ficou à disposição. O problema está no uso indiscriminado, na gastança desmedida, no consumismo desenfreado, muitas  vezes de coisas supérfluas. É necessário resgatar a sobriedade no consumo dos bens necessários à dinâmica da vida e evitar desperdícios. São Francisco soube cultivar esta sobriedade no uso das criaturas, como podemos ver no fato de mandar o lenhador cortar apenas os galhos secos das árvores para que continuassem produzindo.

A transformação está ligada ao trabalho, à atividade mediante a qual os seres humanos operam transformações de materiais ou de seres em outras realidades segundo sua intenção e necessidade. Hoje vemos que as transformações muitas vezes somente vão atender à necessidade de se manter ativa a roda do consumismo, com a produção do supérfluo. No entanto, esta atividade deve visar à vida e à sua justa manutenção.

Resgatar São Francisco neste contexto de nossas relações com as criaturas da natureza significa valorizar suas atitudes. Primeiramente, a pobreza, que neste santo significou a não-posse, reverteu-se em redenção para as criaturas, e lhe possibilitou pelo olhar contemplativo alcançar o que eram realmente, a ponto de lhes chamar de irmãs e irmãos. A razão é simples, em última análise este olhar purificado de poder e lucro revela que as criaturas são dom de Deus e também portam sinais do Criador.

Por isso, São Francisco purificado interiormente pela ação do Espírito que o conduziu a renúncias, como posse e dominação, ao contemplar a natureza, nela somente via reflexos da imagem de Deus, de sua bondade e beleza. Assim, as criaturas não se constituem em obstáculos para se encontrar Deus e amá-lo.

Assim, a contemplação deste santo não era pautada simplesmente pelo fator racional, mas se deixava levar pelos seus sentimentos, por sua sensibilidade, até o ponto de realmente amar as criaturas, afinal, havia feito a descoberta de que elas eram também suas irmãs. Em consequência, nele brotou um respeito impressionante por todos os seres criados e soube viver de modo perfeitamente integrado a este universo, numa grande fraternidade com todo o universo criado por Deus. São Francisco, disse um de seus biógrafos, descobriu os segredos do coração das criaturas, às quais chamava de irmãs, porque já parecia gozar a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.

Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas em prol do planeta.

 

 

Cântico das Criaturas

São Francisco de Assis

 

Altíssimo, onipotente e bom Deus, teus são o louvor,

a glória, a honra e toda bênção.

 

Só a Ti, Altíssimo, são devidos,

e homem algum é digno de Te mencionar.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

com todas as Tuas criaturas.

 

Especialmente o irmão Sol, que clareia o dia

e com sua luz nos ilumina.

 

Ele é belo e radiante, com grande esplendor,

de Ti, Altíssimo, é a imagem.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas,

que no céu formastes claras, preciosas e belas.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Vento,

pelo ar ou neblina, ou sereno e de todo tempo,

pelo qual às Tuas criaturas dais sustento.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água,

que é muito útil, humilde, preciosa e casta.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Fogo,

pelo qual iluminas a noite,

e ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,

que nos sustenta e nos governa,

e produz frutos diversos,

e coloridas flores e ervas.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam por teu amor

e suportam enfermidades e tribulações.

 

Bem-aventurados os que sustentam a paz,

que por Ti, Altíssimo, serão coroados.

 

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal,

da qual homem algum pode escapar.

 

Ai dos que morrerem em pecado mortal!

 

Felizes os que ela achar conforme à Tua Santíssima vontade,

porque a segunda morte não lhes fará mal.

 

Louvai e bendizei ao meu Senhor, e dai-lhe graças

e servi-O com grande humildade.

 

Amém.

 

*   *   *

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2011


Senhor Deus, nosso Pai e Criador,
A beleza do universo revela a vossa grandeza,
A sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas,
E o eterno amor que tendes por todos nós.

Pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra,
E o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça.
A beleza está sendo mudada em devastação,
E a morte mostra a sua presença no nosso planeta.

Que nesta quaresma nos convertamos
E vejamos que a criação geme em dores de parto,
Para que possa renascer segundo o vosso plano de amor,
Por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes.

E, assim, como Maria, que meditava a vossa Palavra e a fazia vida,
Também nós, movidos pelos princípios do Evangelho,
Possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor,
O ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo.

Amém.

 

 

 

 

 

 

Hino da Campanha da Fraternidade 2011

L.: Pe. José Antônio de Oliveira

M.: Casimiro Nogueira

1.

Olha, meu povo, este planeta terra:
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)

 

 

 

Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!

 

 

2.

A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.
É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.

 

 

3.

Vê, nesta terra, os teus irmãos. São tantos...
Que a fome mata e a miséria humilha.
Eu sonho ver um mundo mais humano,
Sem tanto lucro e muito mais partilha!

 

 

4.

Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro...
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.

 

 

5.

Contempla os rios que agonizam tristes.
Não te incomoda poluir assim?!
Vê: tanta espécie já não mais existe!
Por mais cuidado implora esse jardim!

 

 

6.

A humanidade anseia nova terra. (2Pd 3,13)
De dores geme toda a criação. (Rm 8,22)
Transforma em Páscoa as dores dessa espera,
Quero essa terra em plena gestação!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências/textos

1 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Campanha da Fraternidade 2011: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2010. P.11.

2 Ibidem, p.15.

3 Ibidem, p.76.

4 Ibidem, p.89.

5 Ibidem, p.92.